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Ilustração e Desenho de Moda: Diferenças e Aplicações


É muito recorrente a confusão feitas por alunos ingressantes nos cursos de moda entre os conceitos de Ilustração de Moda e o Desenho de Moda propriamente dito. O primeiro grande erro que se comete é pensar que, para estudar moda, é necessário ter domínio dessas técnicas. ledo engano, meus caros. Moda existe para além disso. Enfim, mas a discussão que eu quero trazer hoje para vocês é sobre a origem e aplicação da Ilustração e do Desenho de Moda.

Ontem, eu li um artigo super interessante, chamado A Ilustração de Moda e O Desenho de Moda, da mestre em Moda e professora do SENAC Penha, Carla Stephania de Góis Duarte, onde a autora trás esse debate, levantando a importância de se conhecer as origens da ilustração, principalmente sua aplicação no mundo fashion, tendo em vista a precariedade de bibliografia especializada na área.

Trabalhos de Myltan e Kelly Smith

Segundo ela, e de acordo com vários outros autores em que ela se apoiou para a elaboração do artigo, a Ilustração de Moda surgiu no século XVI, em ocasião das grandes navegações. Grandes personalidades embarcavam nessas expedições e, conhecendo os modos e os costumes (inclusive do vestuário) das novas terras encontradas, tentava representar essa cultura e repassar para seus países de origem, utilizando a técnica da xilografura. Portanto, mais do que somente ilustrar (enfeitar) páginas de noticiários, a Ilustração de Moda dessa época tinha uma função de comunicar e informar às pessoas sobre novos povos e seus hábitos de vestimenta. Foi daí que surgiram as primeiras revistas de moda, etiqueta e bom costumes, notadamente na França. Com isso, já podemos 'conceituar' Ilustração de Moda como sendo um artifício, utilizado por um artista, estilista ou não, para comunicar algum fato, divulgar algo, estando diretamente ligado com as funções publicitárias.


À esquerda, Designer desconhecido. À direita, Croquis da Versace

Já o Desenho de Moda, surgido no século XVIII com a estilista da Rainha Maria Antonieta, Rose Bertin, tem outra função bem diferenciada. Assim como a ilustração, essa técnica também tem uma função informativa, mas diretamente ligada a confecção do vestuário. Nela, o estilista, através de processos de criação, põe no papel sua idéia sobre determinado tema e esse é interpretado pelos costureiros e, ai sim, produzido.

Entenderam a diferença? Espero que sim. Vemos hoje em dia um grande 'boom' da Ilustração de Moda, que teve uma depressão muito grande nos anos 30, devido os avanços da fotografia e a utilização dessa nas revistas de moda. Não são nada raros as capas de revistas, como a Vogue e a Elle, que trazem trabalhos de grandes ilustradores, abrindo espaço para uma maior diálogo entre as duas técnias supracitadas.

Se você gosta de desenhar, tem aptidões para a ilustração, seja ela de moda ou não, aproveite esse dom e desenvolva sua técnica. O mercado está, sim, precisando de pessoas especializadas nessa área, que unam tanto técnicas antigas (desenho à mão livre), com técnicas mais modernas, com utilização de softwares, como photoshop, corel draw e ilustrator. Mas também não se desespere se você não tem habilidades para desenhista. O mundo da moda oferece muitas outras oportunidades de trabalho, como jornalismo de moda, produção de eventos, e afins. Abraços.

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Desenho de Moda - Grayson Perry

Bom, foram tantos estresses, muitos rabiscos, muita dor de cabeça, mas, enfim, o semestre está acabando e minhas merecidas férias estão batendo na minha porta. Mas, antes disso, ainda faltam alguns pequenos trabalhos, como por exemplo o da disciplina de Desenho de Moda.
Foi proposto, para cada aluno, estudar um pouco sobre a vida e obra de um ilustrador. A principio achei a idéia um pouco chata, mas depois fui gostando. Eu fiquei com Grayson Perry, conhecem? Pois é, eu não conhecia nada sobre ele. Grayson, britânico, além de ter alguns trabalhos no mundo da Moda, é um ceramista de mão cheia, dando asas a sua imaginação em suas criações em cima desse material.
O artista teve uma infância meio conturbada e isso é bem visto nas ilustrações dos seus vasos, que sempre tem temas infantilizados, com uma pegada um tanto quanto erótica e perturbadora. Ele, pasmem, se travesti, adotando o nome de Claire, que seria seu alterego, mesmo tendo mulher e filha. Segundo o mesmo, essa criação tenta suprir suas emoções infantis conturbadas, depois de uma vida difícil ao lado do pai e, depois, do padrasto.


Com tudo isso em mente, tentei absorver meio que as idéias de trabalho dele e misturá-las a esse mundo feminino que ele tanto idealiza. A proposta foi trabalhar com as cores, notadamente as primárias, que são identificadas nas cerâmicas e dar um pouco de sensualidade aos looks, apostando em transparências e pequenos comprimentos. Para dar mais a cara do artista, também optei por looks mais estruturados e por croquis com imagens mais estáticas, dando a impressão de imobilidade dos vasos.



A técnica foi bem simples. Primeiramente, fiz um brainstorming com cores e estruturas que achava interessante. Depois passei isso para o papel Cason A3 com grafite e colori com aquarela e hidrocor, finalizando com a uni pin nas partes relativas às transparências. Vocês terão que me desculpar pela qualidade das imagens dos croquis, mas, como estou doente, não deu para sair e escanear, já que locais que fazem isso em A3 são bem escassos aqui perto de casa. Enfim, espero que gostem e não os confundam com Pikachus Fashions (srrsrsrsrrs). Abraços!

Estampa daí que eu Estampo daqui.

Bom,
vou logo avisando que meu sumiço das redes sociais (principalmente do blog) tem motivos. Além de seminários, croquis, estágio e etc. estou, junto com umas colegas, desenvolvendo uma estampa para avaliação final de uma disciplina. O que posso falar até agora é que está sendo uma experiência super bacana pra gente (nunca tinha trabalhado com estamparia, mesmo adorando ilustração).
Resolvemos, depois de muito pensar, unir três gostos pessoais e acabamos tendo uma inspiração um tanto quanto inusitada (pelo menos pra mim). O que vocês diriam da mistura entre a Art Nouveau e o Surrealismo? Pois é, resolvemos apostar nas curvas (até meio naturalistas) do primeiro movimento e o irreal do segundo.
Essas foram as imagens que a gente escolheu para montar os painéis de inspiração e eles tem muito do que a gente está colocando na estampa (lógico!)




Vou confessar que tenho uma queda enorme pela Art Nouveau. Acho ela extremamente rica, mesmo não tendo sido um movimento tão expressivo. Já não posso dizer o mesmo do Surrealismo, por isso que tá sendo bem desafiadora essa 'missão'. Espero que o resultado fique bacana. Depois mostro para vocês. Abraços!

Imagens: REPRODUÇÃO
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