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O Trabalho por trás das Etiquetas*


Aposto que muit@s de vocês ainda não pararam para pensar de onde saem as roupas utilizadas por você. Pare agora mesmo e veja a etiqueta da sua blusa, do seu short, calça e afins. E aí, de onde eles saíram? Foram feitos aqui no Brasil ou em algum lugar escondido nos confins do continente asiático?


Essa discussão não é nada nova, mas ainda hoje desperta a atenção de muitos desavisados. Muitos trabalhadores (homens e, principalmente, mulheres) são explorados a cada segundo nas indústrias têxteis ao redor do mundo. As mulheres e as crianças, sem dúvida, são as maiores vítimas desse descaso, devido às péssimas condições de trabalho e os abusos sexuais sofridos pelos patrões.
Esse debate tem muito pano pra manga e abre espaço para discussão de vários outros temas importantes, como desigualdade de gênero, políticas trabalhistas, etc. Mas, por enquanto, quero que vocês apenas dêem uma olhada no trailer do documentário China Blue, dirigido por Micha Peled e lançado em 2005 . Nele, uma jovem trabalhadora de uma fábrica de jeans compartilha seu dia-a-dia e sua luta para conseguir seis centavos por hora de trabalho. Depois de assisti-lo, tenho certeza que seu padrão de consumo irá sofrer alguma alteração, nem que seja a menor possível.


Aproveite a página do youtube e assista o documentário por completo. Ele não é muito longo. Dá super de boa para vocês verem. Depois de vê-lo, a gente pode trocar mais idéias sobre isso, ok?! Boa segunda-feira!

*O trabalho por trás das etiquetas é um dos títulos do livro Eco Chic: o guia de moda ética para a consumidora consciente, da jornalista inglesa Matilda Lee.

Moda, Identidade e Afirmação.


Hoje, tive uma prova bem interessante na para o Programa de Educação Tutorial do curso de Design de Moda da UFC. Não sei como me sai (o resultado só sairá na quinta-feira), mas os temas trazidos na avaliação são bem legais e super pertinentes com a proposta do Movimente e Pense.


Para dar suporte aos estudos, as orientadoras sugeriram dois textos que traziam, em sua essência, as mudanças ocorridas na sociedade e como essas foram significativas para os processos relacionados à moda.
Como base neles e nos teóricos que alicerçaram a suas escritas, o surgimento da moda está estritamente ligado às inovações tecnológicas, sociais e culturais promovidos pela revolução industrial. Outros autores apontam os séculos XIV e XV como os períodos históricos em que o fenômeno da moda começou a despontar na sociedade européia, notadamente a italiana e a francesa.
Esse fenômeno cultural estabeleceu-se quando o processo de produção do vestuário ganhou mais impulso, havendo uma "democratização" na aquisição de peças de roupa, devido basicamente aos preços, que se tornavam mais acessíveis. A partir desse momento, as classes menos abastadas, tendo mais condições de adquirir alguns produtos, começou a imitar os padrões de consumo das classes mais ricas. Nesse processo (imitação/diferenciação), os ricos procuravam diferenciar-se buscando novos produtos que demonstrassem sua superioridade.


Ver-se, nesse contexto, uma maior consumo de bens (roupas, acessórios, etc.) que eram utilizados para ostentar, dividir classes sociais e mostrar a identidade (status) social do indivíduo.
Porém, com a evolução sócio-cultural do século XX, esse fenômeno alterou-se, havendo a fragmentação da sociedade. A moda, nesse contexto, foi utilizada a serviço de indivíduos que buscavam unir-se por seus estilos e concepções de vida. A noção de classe social foi deixada de lado e os gostos individuais foram exaltados, favorecendo o aparecimento de grupos sociais (tribos). Esses buscavam, na sua grande maioria, diferenciar-se dos padrões ditados pelos ritmos da moda.


A moda também foi (e ainda é) utilizada para distinguir gêneros. No passado, as mulheres, principalmente de classes ricas, utilizavam roupas que mostravam sua condição social: a de reprodução. Como não trabalhavam, as roupas utilizadas adornavam a mulher, trancafiando-a dentro dos limites impostos pela sociedade patriarcal. Já os homens eram ligados à produção e procuravam estabelecer isso em suas roupas, quase sempre austeras e práticas, que possibilitavam o trabalho. Porém, essa condição mudou ao longo dos anos. A mulher passou a reivindicar seus direitos e entraram massivamente no mercado de trabalho. A moda, lógico, acompanhou esse mudança, favorecendo um vestuário mais condizente com os novos anseios femininos.
Em suma, a moda é um fenômeno sócio-cultural, servindo, portanto, para diferenciar os indivíduos, estabelecendo estilos, preferências e identidades pessoais e sociais. A moda é um reflexo do contexto social em que o indivíduo está inserido. Esse processo ainda pode ser classificado como psicológico, na medida em que proporciona a pessoa mostrar-se para os outros utilizando de meios simbólicos para isso.

Referências:
CRAINE, Diana. A moda e seu papel social. Cap. 1 Moda, identidade e mudança social. São Paulo, SENAC, 2006.
GODART, Frédéric. Sociologia da moda. Cap. 1 Afirmação: moda entre o indivíduo e a sociedade. São Paulo, SENAC, 2010.

Imagens: Reprodução
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Moda + Design + Sustentabilidade = Monttainai Design


Como já era sabido, o Designer Jum Nakao esteve aqui em Fortaleza (e ainda está, se não me engano), para ministrar alguns cursos e também falar um pouco de sua experiência com a Monttainai Design. Monttainai é um palavra originada do budismo e está ligada a utilização responsável de nossos recursos naturais, sem desperdiçá-lo, aplicando os três R's do consumo sustentável: Reciclar, Re-utilizar, Reduzir. E foi justamente sobre isso que o Jum veio falar.


Iniciando a palestra, que, aliás, foi super agradável e relaxante, o Designer falou da importância do profissional trabalhar como uma ferramenta de troca com a sociedade, servindo-a em prol do bem comum e entendendo seu contexto sócio-cultural. A partir daí, também agir aproveitando ao máximo os recursos que nos são disponíveis. Como ele mesmo diz, "porque jogamos a casca do limão fora depois de fazer uma limonada?". Porque não encontramos meios para se trabalhar com essa casca e fazer com que ela venha a contribuir para o nosso bem estar? Essa ação está refletida diante de um mundo onde a efemeridade das coisas é cada vez maior, onde objetos, roupas ou não, são cada vez mais comprados e jogados fora. Compramos por comprar, pelo apelo midiático, pela necessidade de mostrar que temos poder aquisitivo para isso e aquilo.



Jum falou de sua experiência na Holanda, visitando e acompanhando o trabalho de vários artistas que lidam com essa mesma problemática e propõem mudanças na nossa forma de utilizar determinados bens. Através de imagens, ele nos vez viajar por um mundo onde as oportunidades não são desperdiçadas. Lugar onde objetos antigos são reutilizados em vez de serem jogados no lixo. Lugar onde pedaços de madeira, antes jogados fora pela indústria, são utilizados para construir objetos com uma nova roupagem. Enfim, um lugar onde se pensa e se põe em prática os conceitos do Design Sustentável.

A maioria dos trabalhos exibidos pelo Jum são confeccionados por artistas da própria Holanda, país que nem sofre tanto com as mazelas da poluição e do desperdício, mas que arregaça as mangas na luta por um Design mais agradável para o meio ambiente.

The Artist Has To Live Like Everybody Else (O Artista Tem que Viver Como Todo o Mundo), palavras que encerraram a palestra

Foi uma experiência incrível, onde novas janelas de possibilidades foram mostradas para se trabalhar com o Eco-Design. Pra mim, não adianta apenas teorizar sobre o assunto e fingir que está se produzindo moda sustentável apenas criando um vestido de jornal, uma pulseira de garrafas pet ou uma eco-bag que só será exposta, sem condições de uso. Design Sustentável é muito diferente disso tudo: é você propor mudanças que possam realmente ser utilizadas e que venham a mudar um contexto social. Sei, vocês devem está pensando: "ele sonha demais", "isso tudo é muito caro", "isso não tem viabilidade". Enfim, mas são esses pensamentos, advindos de uma pequena parcela da população, que podem salvar o planeta e que possibilitará uma harmonia entre o homem, seus atos de consumo e o meio ambiente. #reflita
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Moda Contemporânea

Não sei se vocês já sabem, mas tá rolando a VII Semana de Humanidades da UFC, com o titulo “Humanidades: Fronteiras em Movimento”. O evento vai até o fim da semana e tem muita coisa boa em sua programação (confira AQUI).

Pois é, recebi o convite para assistir uma palestra hoje e como tava sem fazer nada de produtivo super aceitei. E num é que eu adorei. O tema era Moda Contemporânea e o ministrante foi o Prof. José Pires (conhecido como Jops), formado em Letras e em Estilismo e Moda pela Universidade Federal do Ceará.

Mas seria Moda Contemporânea ou Moda na Contemportaneidade? Quais os fatores que influenciam essa Moda? Quais os acontecimentos históricos que influenciaram e a fez chegar onde se encontra?

Enfim, todos esses questionamentos fizeram parte da apresentação do Prof., que fez uma analise histórico-sociológica da moda, desde a década de 20, marcada pela ascessão das estilistas femininas, passando pelas décadas subsequentes até chegar no momento atual, destacando sempre as principais caracteristicas desses períodos e como esses influenciaram a Moda como conhecemos.

Para ele, existem, hoje, traços que identificam a Moda "Contemporânea", a saber:

- A cultura do espetáculo, ou seja, os grandes desfiles, que entraram em ascessão na década de 90;
- O paradoxo existencial do 'Eu' e do 'Grupo', que diz respeito, em suma, como a forma de se vestir insere um individuo em determinado grupo (emos, rocks, hippies, patricinhas);
- Consumo.

Para exemplificar o primeiro traço e trazer um pouco dessa discussão para o nosso meio, o palestrante mostrou o trabalho do designer Mark Greiner, arquiteto de formação e excelente criador da 'roupa instalação', ou seja, daquela roupa que tem um grande valor artistico e que é utilizada para dar continuidade a essa cultura do espetáculo supracitada. Já conhecemos o trabalho do Mark, mas não custa nada dar mais uma olhadinha:






Juro que tinha me arrependido se não tivesse ido. A palestra foi super boa, super tranquila em termos de entendimento e tava tão interessante que eu não vi a hora passar. Precisamos muito de eventos como esse para debatermos sobre moda (estudantes, professores, leigos, e profissionais) e para rompermos com alguns preconceitos existentes em nosso meio.

Fotos: Reprodução.
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O QUE É CONSUMO?*



A palavra consumo possui algumas raízes etimológicas, sendo que para o latim, consumere, tem sentido de utilizar tudo, acabar, esgotar. Já para o inglês, consummation, o sentido está voltado para a soma, à adição de produtos, objetos, etc. No Brasil, vemos hoje uma maior utilização do primeiro conceito. (BARBOSA;CAMPBELL, 2006)

Para o Dicionário de Economia (2009), o consumo é a aplicação das riquezas para a satisfação das necessidades econômicas do indivíduo.

Tendemos a associar o consumo somente ao ato de comprar, esquecendo outras variantes envolvidas nessa ação. Essas estão associadas ao ator precedente de escolher o que queremos comprar, por que queremos adquirir determinado bem ou serviço, como devemos adquiri-lo e quem nos fornecerá esse bem. Após essas etapas ocorre uma reflexão e, somente terminada essa fase, é que se passa diretamente para a compra, sendo que esse ato é seguido pelo descarte do produto comprado. (CONSUMO, 2008)

Toda e qualquer sociedade utiliza o mundo material existente em torno de si para poder reproduzir-se , tanto física como socialmente. Esses produtos têm algumas funções, tais como as básicas, de proteção e de saciedade das nossas necessidades orgânicas, de status, pois media as relações e confere status entre as pessoas de um grupo, e de descoberta, tendo em vista que aprendemos a construir nossa subjetividade e identidade.

Em nossa sociedade, consumir, além da compra por necessidade propriamente dita, ganhou uma serie de implicações. A compra tornou-se, principalmente, o fato de adquirir algo que vai trazer-lhe felicidade e vai proporcionar, ao “consumidor”, uma inserção na sociedade. Os produtos acabam por carregar consigo um valor simbólico muito grande. Dessa forma, o individuo possuindo alguns desses produtos vai a passar a ser visto dentro da sociedade: o fato de ter sobrepõe a questão do ser (LYRA, 2008).

Dessa forma, “o consumo envolve outras formas de provisão que não apenas aquelas concebidas no formato tradicional de compra e venda de mercadorias em condições de mercado.” (BARBOSA;CAMPBELL, 2006, p. 25)

Se pensarmos um pouco, o consumo está presente em todos os nossos hábitos cotidianos. Quando acordamos pela amanha, tomamos banho e escovamos os dentes utilizando produtos comprados no mercado. Quando vamos tomar nosso café-da-manhã, provavelmente estaremos nos alimentando de produtos também disponíveis para a compra em mercearias, supermercados, etc. E, assim, sucessivamente, ocorre o consumo de bens e serviços durante nossa jornada diária.

Esse hábito de consumo tem gerado várias discussões em nosso meio, tendo em vista que ele remonta a aspectos impactantes em nosso meio e principalmente em nossa economia. (CONSUMO, 2008)

Vivemos em uma sociedade conhecida como “fast-society”, onde os produtos só duram o tempo necessário para que outras mercadorias apareçam e venha satisfazer as vontades do individuo. Uma prova marcante disso é a utilização de celulares, que, a cada dia mais, cresce, conseguindo alcançar até as camadas mais populares de nossa sociedade. E, ainda em relação aos aparelhos telefônico portáteis, podemos observar a constate atividade do mercado em busca de oferecer celulares melhores e mais sofisticados. O consumidor, atraído pela sua beleza e, principalmente, pelo seu valor simbólico é instigado a trocar de aparelho com pouco tempo de utilização (CONSUMO E CIDADANIA, 2004).


Segundo Lyra (2008), citando Nestor Canclini, as diferentes formas de consumir existentes hoje em nosso meio, e suas implicações, transformaram as formas de exercer a cidadania e isso se justifica pelo constante degradação da política, onde a participação popular tornou-se quase invisível. Outra característica bastante marcante de nossa sociedade de consumo é um processo de destruição dos sujeitos, sendo que ocorre uma maior valorização dos objetos. É bastante comum a pessoa viver cercado de vários objetos da moda, esquecendo-se de manter relações com outros indivíduos, podendo ser o consumo considerado como um dos fatores que auxiliam no “isolamento e a separação entre as pessoas” (LYRA, 2008).

Contribuindo nesse contexto, a mídia exerce hoje grande influencia nas escolhas do consumidor. Através de campanhas publicitárias esse meio de comunicação acaba por formar ou moldar o comportamento da nossa sociedade pós-moderna (CONSUMO E CIDADANIA, 2004).

Entram em cena nessa discussão as questões relacionadas ao consumismo, ou seja, ao ato de comprar simplesmente por comprar, sem razão especifica. Nesse contexto, as empresas de marketing e propaganda são tidas como grandes vilões, pois colaboram para aumentar esse desejo pela compra e por criar uma ilusão de necessidade em objetos que não precisamos. E ai está a diferença em consumo e consumismo, sendo que no primeiro agimos por necessidade, para satisfazer desejos e necessidades naturais e orgânicas. Já no segundo, o que prevalece é o desejo embutido pela mídia, é o consumir pelo modismo e para conseguir status social (CONSUMISMO, 2009)


*Trabalho da Faculdade sobre Consumo

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Consumo? Consumismo? Oneomania? Socorrrroooo!


Se você é daquelas pessoas que não podem ter um problema, uma ansiedade, uma dorzinha de cabeça, (enfim.. qualquer coisa) e correm para um shopping "para aliviar suas tensões" pode ter certeza, ou você está ou está prestes a ter Oneomania. Não sabe o que isso? Pois é, mais uma doença moderna. Oneomania, que atingi principalmente as mulheres, é a compulsão pela compra, é o comprar por comprar, sendo que sempre após uma compra fútil a pessoa fica super down, super arrependida. Ou seja, o prazer acontece somente no ato da compra.
Infelizmente isso está acontecendo (e muito!) em nosso meio, sendo que vários podem ser os fatores, tais como influencia da mídia, pela indústria predatória, enfim... por "N" fatores.
Aposto que você deve está se perguntando: - Meu deus, será que eu tenho isso??!! Exitem alguns sintomas básicos nessa doença e altamente fáceis de se indentificar, tais como:

  • Gastar mais do que o salário permite;
  • Vai à loja para comprar um determinado artigo de e acaba saindo com outros;
  • Tem em casa peças de roupas ainda com etiqueta e muitas vezes acaba nunca usando-as;
  • Não resiste a uma promoção embora não esteja precisando do produto ofertado;
  • Sente um enorme prazer com o ato da compra e depois é tomado por um sentimento de culpa;
  • Costuma mentir sobre o que compra, quando compra, quanto gastou, pois tem sempre alguém dizendo que está gastando demais;
  • Muitas vezes tenta controlar seus gastos, diminuir as compras, mas não consegue, se sente frustrada e incapaz de lidar com essa situação.
Muitos ignoram essa doença, pois pensam que é coisa de gente "fresca", que é uma besteira. Mas, pelo contrário, a doença é grave e precisa, em alguns casos, de acompanhamento psicológico.
Então, para um "tikin" e pense como são suas formas de consumo. Será que você precisa comprar uma roupa nova toda semana? Será que o seu guarda-roupa não está lotado demais, com peças até não utilizadas?
Reflita.
Agora, se você tem as características acima expostas, controle-se, peça ajuda!

A propósito, temos um filme que exemplifica bem essa patologia dos nossos tempos. Quem já assistiu "Os Delírios de Consumo de Becky Bloom"? Pois é, o longa trata de uma 'louca', que compra compulsiva mente apenas por comprar, sem nenhum motivo óbvio. Assista-o e reflita um pouco sobre, vale a pena.

Veja o trailer do filme (ainda por cima é bem engraçadim!!)


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Embrião: Uiiiii

Aspectos Antropológicos da Indumentária e a sua função

Mas, para inicio de conversa, o que é roupa? Roupa é todo e qualquer objeto utilizado a fim de cobrir o corpo, sendo que, por vezes, são utilizados acessórios nessas roupas, tais como bolsas, cintos, etc. Aliado a esse conceito, sabemos que a roupa (traje, indumentária) possui várias funções em nossa sociedade, as quais precisamos saber para conhecer como funciona esse fenômeno tão grandioso que é a indústria de confecção e a moda.

“A roupa não tem apenas função de adorno, mas protege o organismo contra as sujeiras, os micróbios, os ventos, as chuvas, o frio e o sol excessivo. A roupa é tão importante para a manutenção da saúde quanto a alimentação adequada e a higiene pessoal”. (LEITE, 1980, p. 107)

Segundo TREPTOW (2003), A indumentária está ligada à evolução humana, tendo em vista que essa vem acompanhando o desenvolvimento do ser e suas transformações na sociedade. Através de uma análise histórica, podemos ver o papel da roupa desde a antiguidade até os dias atuais.

Segundo a Bíblia, a roupa está inserida em um contexto onde o pecado é o tema principal. Quando Adão prova do fruto proibido, tanto ele como Eva notam que estão completamente despidos e, a partir de então, passaram a vestir-se com folhas de figueira. (DANNEMANN, 2009)

Já na pré-história vemos o homem vestir-se para proteger seu corpo das intempéries. Porém, não se pode registrar apenas essa função pragmática nesse período, tendo em vista que muitos historiadores relatam que os caçadores da antiguidade usavam suas peles para receber a força do animal que tinha sido capturado. (TREPTOW, 2003)

Ao longo da história, muitas civilizações fizeram o uso do vestuário para se distinguir socialmente e para mostrar status, trazendo no corpo as marcas da cultura de determinada sociedade e o poder de determinados indivíduos.

Segundo Treptow (2003), nesse ponto estético, podemos já tratar de moda, pois a mesma nasce no momento em que o indivíduo passa a dar valor a sua aparência e tende a querer diferenciar-se dos demais, assemelhando-se a outros, tendo em vista que a moda se dá nesse constante processo de diferenciação e identificação.

Outra função marcante da vestimenta em nossa sociedade é aquela que diz respeito à diferenciação de trabalhos, ou seja, aquela utilizada por médicos, militares, bombeiros, etc. Algumas são utilizadas como meio de proteção (como no caso de médicos que trabalham diretamente expostos a microorganismos), outras têm a utilidade apenas de distinção, tais como os fardamentos escolares das crianças, o fardamento do policial, etc. Outra característica importante, diferenciada pelo tipo de vestuário, é o sexo da pessoa que o utiliza, sendo também uma questão de gênero. (ROUPA, 2009)

O tipo de roupa que um individuo vai utilizar, além das questões supracitadas, ainda podem envolver outros fatores, tais como: proteção contra o frio e o calor; ocasião em que se vai utilizar a peça de vestuário; religião da pessoa; disponibilidade no acesso de materiais para a fabricação da vestimenta; diferença na fabricação; sexo, idade e poder de compra do consumidor. (ROUPA, 2009)

Hoje, podemos ver que a roupa está presente em todos os âmbitos de nossa sociedade, expressando a personalidade do homem e a maneira como esse vive, só que com uma diferença: não se tenta mais esconder-se por traz do vestuário e sim mostrar-se com verdadeiramente é, o que gosta e o que deseja, seus anseios e suas angústias. (INDUMENTÁRIA, 2009)

A Evolução da Indústria do Vestuário: uma análise histórica

Segundo Víctor (2009), a evolução da indústria de confecção pode ser caracterizada por três fatos históricos distintos, que serão discutidos a seguir.

O primeiro deles trata-se da Revolução Francesa, ocorrida em 1789. Essa grande revolução, que marcou e influenciou a história mundial, teve, como principais causas: o governo absolutista do rei (Luis XVI), a desordem administrativa, os gastos elevados na participação de batalhas e no luxo dos poderosos e a crise financeira. Para piorar a situação o governo francês assinou em 1786, com a Inglaterra, um tratado que permitia a entrada do vinho francês com baixas tarifas alfandegárias em território britânico. Em troca os tecidos ingleses puderam entrar na França com os mesmo direitos, o que afetou a industria manufatureira francesa. A partir de então, surgiu uma onda de falências, acompanhada de desemprego e queda de salários, arruinando o comércio nacional. (VICENTINO, 2000)

Portanto, as maiores causas dessa grande revolução foram econômicas, sendo que as riquezas eram mal distribuídas e a crise na produção agrícola permitiu para a geração de uma grande onda de miséria e fome na França. Deu-se, no meio dessa crise, a revolta. (REVOLUÇÃO FRANCESA, 2009)

Com medo dessa onda se espalhar pelo resto da Europa, vários países organizaram-se para deter a entrada do pensamento revolucionário em seu território, tais como a Inglaterra, Espanha e Holanda. A Inglaterra, como seu grande poderio econômico e militar, destacava-se, então, como grande inimiga da França, tomando o espaço desta como grande potencia mundial, política e econômica. (VICENTINO, 2000)

De acordo com Victor (2009) Nesse contexto, a grande influencia da Revolução Francesa para a Indústria de Confecções deveram-se as estratégias utilizadas por Napoleão Bonaparte para tirar a França da crise econômica travada contra a Inglaterra, detentora em acessão do poder na Europa. O mesmo contratou um costureiro que fez a difusão da moda francesa para o resto do mundo, sendo que essa moda tornou-se sinônimo de elegância e boa condição social, tornando-a objeto de desejo da elite. Essa ação proporcionou um aumento na produção têxtil e, consequentemente, no consumo de tecidos.

O segundo marco histórico trata-se da Revolução Industrial. Essa se iniciou na Inglaterra durante da segunda metade do século XVIII e foi impulsionada pelo surgimento de máquinas e das grandes fábricas. Esse evento proporcionou a saída de um sistema completamente artesanal (manual) de produção para um sistema mecânico e fabril, o que, a partir disso, iria repercutir definitivamente para o processo produtivo nas indústrias em ascensão. (PEINALDO; GRAEML, 2007)

Segundo Peinaldo e Graeml (2007), a chamada primeira Revolução Industrial ocorreu especificamente na Inglaterra, com preponderância para as atividade relacionadas ao setor têxtil.

A Revolução Industrial, de acordo com Victor (2009), foi importante devido às inovações tecnológicas advindas com a mesma, como, por exemplo, a fabricação do primeiro tear mecânico, a descoberta da tinta acrílica (dividindo cores para ambos os sexos) e a invenção da máquina de costura, em 1851 por Isaac Singer, que proporcionaram um aumento da produção nas indústrias.

Tal marco histórico, como supracitado, influenciou toda a cadeia industrial, trazendo um enorme numero de conseqüências para a vida do homem que acompanhava esse processo.

A partir de então, passa a ser registrada as duras situações de trabalho que viviam os operários. Alguns eram tratados sob regime de escravidão, trabalhando mais de doze horas por dia. Isso sem falar nos direitos que eram completamente isolados, tais como férias, assistência médica, segurança no trabalho, etc., sendo constante o registro de doenças (tuberculose, coqueluche, caxumba e varíola) no âmbito fabril. (PEINALDO; GRAEML, 2007)

Segundo Galvêas (2009), outra grande conseqüência da Revolução Industrial foi o crescimento demográfico, causado pelo êxodo rural, que atingiu níveis inconcebíveis para a época. Esse excesso de mão-de-obra proporcionou, para o dono dos meios de produção, uma facilidade de encontrar pessoas disponíveis para o trabalho dentro das fábricas, por um salário irrisório, insuficiente até mesmo para a subsistência destes, caracterizando a chamada fase do “capitalismo selvagem”.

Com o aumento da mão-de-obra e crescente evolução tecnológica dos meios de produção, ocorreu o desejo de especialização dos operadores, a fim de aumentar o nível de produção. Essa ação proporcionou a produção em série e, consequentemente, as linhas de montagem. Outra característica dessa época era a fabricação especializada de apenas um produto. Esse pensamento ficou conhecido como fordismo e teve apoio de outras teorias, como o taylorismo, “que visava buscar o aumento da produtividade, controlando os movimentos das máquinas e dos homens no processo de produção”. (VICENTINO, 2000, p. 287)

O terceiro e último grande acontecimento histórico impulsionador da Indústria têxtil foi a Segunda Guerra Mundial, que começou em 1939 e teve seu término em 1945. Essa ocorreu devido ao aumento do imperialismo, do nacionalismo e, principalmente, da indústria bélica. Outro fator importante para a explosão da guerra foi a crise econômica em que o mundo encontrava-se, desde o declínio que ocorreu em 1929. (SEGUNDA GUERRA MUNDIAL, 2009)

Segundo Schwartzman (1989), antes da Segunda Grande Guerra havia uma produção industrial, especialmente de tecidos, quase que tradicional, sendo que as pesquisas científicas e os avanços tecnológicos eram bem pequenos. Nesse contexto, a guerra influenciou na difusão da especialização técnica, o que causou grandes impactos na organização industrial.

Aliado a isso, o sistema capitalista cresceu de forma ascendente, estimulando definitivamente o consumo, o que causou aumento na produção das indústrias. Para tanto, foram criados outros maquinários específicos, que proporcionaram o aumento dessa produção, como, por exemplo, a overlock e a interlock, a máquina de passar e a de corte. (VÍCTOR, 2009)

A partir de então, vemos um crescente aumento do número das fábricas destinadas à produção do vestuário, devido, principalmente, a facilidade de estruturação do ramo, da mão-de-obra barata, a simplicidade dos processos e dos incentivos do governo.


Fotos (Fonte):

http://www.gehspace.com/edicao%2059%20imagens/MITZURA%20SALGIAN%20-%20Virgo.jpg

http://www.mmjlda.com/imagens/content/empresa.jpg

PUBLICIDADE, PROPAGADA E CONSUMO


Em nossa sociedade, consumir, além da compra por necessidade propriamente dita, ganhou uma serie de implicações. A compra tornou-se, principalmente, o fato de adquirir algo que vai trazer-lhe felicidade e vai proporcionar, ao “consumidor”, uma inserção na sociedade. Os produtos acabam por carregar consigo um valor simbólico muito grande. Dessa forma, o individuo possuindo alguns desses produtos vai a passar a ser visto dentro da sociedade: o fato de ter sobrepõe a questão do ser (LYRA, 2008).
Vivemos em uma sociedade conhecida como “fast-society”, onde os produtos só duram o tempo necessário para que outras mercadorias apareçam e venha satisfazer as vontades do individuo. Uma prova marcante disso é a utilização de celulares, que, a cada dia mais, cresce, conseguindo alcançar até as camadas mais populares de nossa sociedade. E, ainda em relação aos aparelhos telefônico portáteis, podemos observar a constate atividade do mercado em busca de oferecer celulares melhores e mais sofisticados. O consumidor, atraído pela sua beleza e, principalmente, pelo seu valor simbólico é instigado a trocar de aparelho com pouco tempo de utilização (CONSUMO E CIDADANIA, 2008).
Outra característica bastante marcante de nossa sociedade de consumo é um processo de destruição dos sujeitos, sendo que ocorre uma maior valorização dos objetos. É bastante comum a pessoa viver cercado de vários objetos da moda, esquecendo-se de manter relações com outros indivíduos, podendo ser o consumo considerado como um dos fatores que auxiliam no “isolamento e a separação entre as pessoas” (LYRA, 2008).
Contribuindo nesse contexto, a mídia exerce hoje grande influencia nas escolhas do consumidor. Através de campanhas publicitárias esse meio de comunicação acaba por formar ou moldar o comportamento da nossa sociedade pós-moderna (CONSUMO E CIDADANIA, 2008).
A mídia, através da publicidade, é um dos fatores mais importantes na determinação do comportamento dos indivíduos quanto ao consumo. A todo tempo ela ‘induz’ as necessidades, mas, na maior parte dos casos, o faz considerando o conjunto da realidade econômica e cultural. Os anúncios publicitários terão maior ou menor sucesso comercial a partir do nível de suas correspondências com o entorno social (LYRA, 2008).
A televisão, presente em mais de 40 milhões de lares hoje no Brasil, representa um meio de fundamental importância para os publicitários para transmitir campanhas divulgando produtos e serviços. Esse meio de comunicação em massa é visto de duas formas por vários teóricos: de um lado tem-se a TV como um meio de distração, por outro ver-se a mesma como alienadora, contribuindo para a banalização de temas importantes na sociedade. Nesse contexto, a televisão serviria como uma modificadora de necessidades e desejos dos telespectadores (INMETRO&IDEC, 2002).
Porém,as necessidades criadas através da publicidade representam, primeiramente, os interesses econômicos das grandes empresas. Secundariamente, baseiam-se nos possíveis sonhos das mais diversas naturezas do chamado público alvo. A exploração do desejo sexual é recorrente, no desejo de vender produtos tão diversos como refrigerantes ou automóveis (LYRA, 2008).
Segundo Lyra (2008), citando Baudrillard, a publicidade atuaria diretamente nos desejos e anseios de grupos sócio-culturais, sendo, dessa forma, consumida antes de ser dirigida ao processo de consumo. De acordo ainda com a autora, existe hoje discursos publicitários que estão relacionados a criação de ícones de desejo na população. Pode-se citar três desses ícones na atualidade, a saber: telefone celular, automóvel e casa própria, sendo que a maioria das propagandas divulgadas na TV estão relacionadas a eles.
Um outro fato a ser destacado é separação da publicidade direcionada a grupos e a classes sociais. Hoje, grandes vitimas dessa publicidade, e principalmente a enganosa, são as crianças, sendo que essas são muito vulneráveis à publicidade, não tendo capacidade de discerni entre informações corretas e falsas. Produtos alimentícios e brinquedos são divulgados a todo momento prometendo funções e qualidades inexistentes. Porém, não são somente as crianças que são alvos dessa mídia alienadora. Os jovens são explorados diariamente por essa publicidade, sendo que essa tenta criar para esses estilos de vida e identidades, fazendo com que o jovem sinta-se bem, participando de um grupo especifico (INMETRO&IDEC, 2002).
Os adultos também são bombardeados diariamente por essa publicidade. Porém, como não poderia deixar de ser, existe uma linguagem diferente. Ver-se muito atualmente a luta pelo corpo perfeito. Homens e mulheres vivem em busca de alimentos, remédios, cosméticos, etc. que venham proporcionar um corpo bonito. Nesse contexto, vale ressaltar a banalização do corpo por essa mídia (LYRA, 2008).
Classificados conforme o sexo, a faixa etária e, sobretudo, a faixa de renda, homens e mulheres são alvo de anúncios que procuram explorar seus anseios e frustrações, induzindo esse público a suprir, por meio do consumo, suas necessidades de realização pessoal (INMETRO&IDEC, 2002).
Em suma, a evolução do marketing, da publicidade e da propagando em nosso meio está diretamente ligada à forma de consumir existente hoje em nossa sociedade.
Cabe a nós, diante do que foi exposto, rever nossos conceitos e saber distinguir o que existe de bom e ruim na nossa mídia atual, não a deixando entrar em nossos lares e orientar nossa forma de agir, pensar e consumir.


Pedrin Oliveira!
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